Artigos sobre bolsa

Corrigindo outros equívocos: Dollar Cost Averaging x Lump Sum Investing

Posted on julho 13, 2011. Filed under: Artigos sobre bolsa |

O INI é uma instituição com objetivos educacionais, não comerciais

É importante começar o artigo por essa frase, pois enfrentamos algumas adversidades e opiniões contrárias às posições do instituto, algumas até bem agressivas, que normalmente são provenientes de pessoas que não conhecem o papel e os objetivos do INI.

O INI representa no Brasil a mais bem sucedida experiência educacional no que se refere ao investimento em bolsa de valores.

Os princípios e a metodologia que o INI difunde ensinaram milhões de pessoas a investir em bolsa de forma consciente em 20 países, ao longo dos últimos 62 anos. (Ver www.betterinvesting.org, www.shareowners.com, www.wfic.org, www.ffci.fr entre outros “INIs” do mundo).

As posições do INI não têm apenas valor técnico, têm também, e principalmente, valor didático, pedagógico e psicológico. Além de uma tremenda responsabilidade social, afinal estamos trabalhando a poupança dos brasileiros.

Investir regularmente (Dollar Cost Averaging – DCA) ou de uma só vez (Lump Sum Investing – LSI)

Sempre que postamos algum artigo, amplamente fundamentado e transparente, pois divulgamos a origem dos dados, a metodologia e todas as contas, surgem comentários em blogs e fóruns, alguns bem depreciativos.

A divergência, quando educada e fundamentada, é o que nos faz refletir e crescer. E fazer contas.

Aos defensores do investimento em bolsa de uma só vez (LSI) e aos detratores do investimento regular, cabe pontuar as diferenças psicológicas e pedagógicas entre os métodos. Depois volto com as contas e divulgo a planilha com os resultados.

Quais as vantagens que o DCA apresenta em relação ao LSI?

Antes, vale reforçar que o objetivo educacional do INI não é direcionado prioritariamente a investidores experientes, mas principalmente aos milhões de não-investidores que a bolsa deseja atrair para o mercado. Os experientes são bem vindos, mas talvez achem o Método INI muito simples.

Bolsa não se aprende por teoria, apenas na prática

O iniciante, ao optar por colocar um dinheiro relevante na bolsa de uma só vez, queima muitas etapas necessárias à sua formação como investidor.

Aprender sobre os mecanismos da bolsa e das operações mais simples, tê-los dominados, leva de 3 a 6 meses.

Aprender sobre os ativos em que investe (empresas), ter intimidade com eles, com os números, é coisa para 1 a 2 anos.

Isso sem falar em sofisticações e derivativos, elementos fora do escopo do INI.

Ao utilizar o DCA ele terá o tempo necessário, sem expor um capital relevante.

Vantagem didática e pedagógica para o DCA.

Leva tempo para descobrir seu perfil

Essa é outra revelação que leva tempo e requer experiência. Qual o seu perfil como investidor? Como pode colocar todo o dinheiro (ou muito) de uma só vez se nem sabe quais serão suas reações às peculiaridades da renda variável?

Mais uma vantagem do DCA, dar-lhe tempo para se descobrir.

Síndrome da perna-trocada

Diz-se em bolsa que o investidor “trocou as pernas” quando compra na alta e vende na baixa. Pois é essa a experiência da esmagadora maioria dos investidores iniciantes que utilizam o LSI (colocam um dinheiro relevante de uma só vez).

E não é culpa do LSI, mas da própria formação psicológica dos indivíduos. O sentimento natural é querer muito entrar na bolsa quando esta está em alta e querer muito vender quando desaba.

Seu amigo ganhou dinheiro, um vizinho ganhou dinheiro, seu cunhado ganhou dinheiro. É nessa hora que todos pensam em entrar. Isso é facilmente verificável pela quantidade de novos investidores entre 2006 e 2008. Mais que dobrou o número de investidores na bolsa.

Quando desaba, todos querem sair e lamentam não ter saído antes. De 2008 até hoje, a bolsa tem, praticamente, a mesma quantidade de investidores.

Até o investidor conseguir modificar esses valores e essa percepção, ou seja, sentir vontade de entrar quando cai e não quando sobe, lá se vão alguns anos de experiência e, principalmente, de mudança cultural, de valores.

Experiência e cultura que 300.000 novos investidores não tinham quando colocaram dinheiro relevante na bolsa entre 2006 e 2008.

Vantagem psicológica para o DCA!

Formar patrimônio X Gerir patrimônio

Bem, esse último item já separa de forma irreversível as técnicas LSI e DCA.

DCA é adequado para quem quer formar patrimônio ao longo dos anos. Aquela pessoa que não tem recursos relevantes, mas quer, aos poucos, construir patrimônio e ter uma renda para compor sua aposentadoria.

Para esse perfil, que é o perfil da maioria da população brasileira (excluindo devedores contumazes), não existe a opção do LSI. Não existe investir de uma só vez R$ 10.000, R$ 20.000, R$ 100.000. Existe apenas R$ 200, R$ 300, R$ 50 por mês.

Para quem tem dinheiro, a decisão é de gestão e não de formação. Mas mesmo essa pessoa vai precisar pagar todos aqueles “pedágios” de experiência, caso seja iniciante em bolsa de valores.

Demonstra a adequação da atuação do INI, na defesa do DCA. É uma questão de responsabilidade, de formação de cultura e de valores, não meramente “descobrir” e “revelar” o melhor método, a melhor aplicação. Não é esse o papel do Instituto.

Fazendo contas sobre LSI e DCA

Partindo da premissa que a bolsa, no longo prazo, tende a subir, o LSI seria melhor do que o DCA, ou seja, colocar todo o dinheiro de uma só vez seria mais lucrativo do que dividir os aportes.

Os sites alegam que isso ocorre em 2/3 dos períodos. Ou seja, em 2/3 dos meses o LSI ganharia e em 1/3 o DCA ganharia.

Fizemos as contas e essa realidade também se verificou no Brasil de janeiro de 1998 a junho de 2011. Não dá exatamente 1/3, a divisão é 41% (66 períodos em 162 possíveis) com ganho para o DCA e 59% onde o LSI teria melhor retorno.

Ver resultados completos AQUI.

Sem considerar as vantagens psicológicas e didáticas aos iniciantes, há uma consideração estatística que neutraliza essa vantagem que o LSI levaria sobre o DCA.

A mais simples de todas: RISCO.

O Risco é uma medida baseada na volatilidade de uma variável.

E a regra mais simples das finanças é que a relação entre risco X retorno é diretamente proporcional. Quanto maior o risco, maior deverá ser o retorno.

Ao assumir um comportamento de maior risco, é razoável esperar um retorno maior, mas também há possibilidade de perdas maiores.

Veja o gráfico da rentabilidade do DCA e do LSI ao longo dos 162 meses:

Não há qualquer dúvida de que o risco do LSI é muitíssimo superior ao do DCA.

E a pergunta que resta é: O maior risco, compensa o maior retorno?

A matemática e a estatística podem modelar isso e responder, para um determinado conjunto de dados, se o retorno compensa o risco.

Mas o ponto do artigo não é esse. E, acreditamos, já deve ter ficado claro o suficiente até aqui.

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Membros Orientadores: Artigos – Arthur Vieira

Posted on julho 13, 2011. Filed under: Artigos sobre bolsa |

Caros Leitores e Membros da Comunidade INI,

Nosso membro orientador Arthur Vieira disponibilizou os dois artigos a seguir para nosso blog:

Perfil de Investidor

Fundos Imobiliários

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Ibovespa x Renda Fixa – Corrigindo injustiças

Posted on julho 11, 2011. Filed under: Artigos sobre bolsa |

As tradicionais comparações entre o Ibovespa e a Renda Fixa têm um erro metodológico sério

Sempre que a bolsa (leia-se Índice Bovespa) passa por maus bocados, surgem as comparações depreciativas com a renda fixa brasileira.

Este breve estudo pretende demonstrar que as comparações entre o Ibovespa e a Renda Fixa são inadequadas e imprecisas, transmitindo uma visão distorcida do investimento em bolsa.

Ressalve-se aqui que os profissionais que fazem essa comparação não tem qualquer culpa nem dolo por utilizar uma metodologia imprecisa.

É a própria falta de conhecimento da dinâmica do mercado de ações que leva ao erro metodológico.

Metodologia do estudo

O estudo compara investimentos em bolsa (RV) e renda fixa (RF) entre janeiro de 1998 e junho de 2011.

Para equilibrar os números são simulados dois fundos, um atrelado ao Ibovespa e outro à Selic mensal. Não serão considerados custos e impostos, pois em fundos de longo prazo, pela regras de hoje, as alíquotas seriam iguais. Não há taxas de administração para quaisquer dos fundos.

A planilha com os dados completos está AQUI.

Primeiro e principal erro: Método de Acumulação de Patrimônio

Os estudos que aparecem na mídia, demonstrando que o investimento em RF foi melhor que o investimento em RV nos últimos anos cometem um pecado metodológico sutil, mas decisivo para viciar os resultados.

Por “viciar” os resultados entenda-se que a metodologia utilizada tende, na maioria das vezes, a beneficiar a RF. É como se, ao jogar um dado, o resultado fosse 90% das vezes um número par, por exemplo.

As comparações sempre levam em consideração um investimento único, feito no início do período, tanto para RF quanto para RV.

Esse método é correto para RF, mas errado para RV.

Não há qualquer dúvida de que migrar uma grande quantidade de dinheiro de uma só vez para RF seja uma atitude prudente ou correta, mas colocar todo o dinheiro em bolsa de uma só vez é jogo, é aposta.

Resumindo: a metodologia tradicional compara uma atitude de investimento INDICADA para a renda fixa e CONTRA-INDICADA para a bolsa.

O leitor deve estar imaginando se isso é tão grave assim. É gravíssimo.

Pois imagine que o estudo fosse feito com atitudes de investimento INDICADAS para ambos os casos.

No estudo que gerou esse artigo, simulou-se a compra regular de R$ 1.000 em cotas de um fundo de índice (RV) e mais R$ 1.000 em cotas de um fundo atrelado à SELIC (RF), ao longo de 162 meses.

Entre janeiro de 1998 e junho de 2011, os resultados:

  • R$ 163.000 investidos em cada fundo (contando aporte inicial período ZERO)
  • R$ 521.856 no fundo atrelado ao Ibovespa (RV)
  • R$ 485.268 no fundo atrelado à SELIC

Mas não é isso que prova o viés negativo que acaba quase sempre deixando a renda variável em situação desfavorável nas comparações.

A prova do viés metodológico

Na metodologia utilizada tradicionalmente, que aqui se quer demonstrar que tem viés amplamente favorável à RF, simula-se um único aporte no início do período, tanto para RF quanto para RV.

Nesse exemplo, nos 162 meses do estudo, em quantos a RF estaria em vantagem em relação à renda variável?

O patrimônio em renda fixa estaria maior em 143 meses, contra apenas 13 meses nos quais a renda variável estaria com patrimônio maior.

Mas na metodologia correta, que compara bolsa e renda fixa utilizando uma modalidade de investimento adequada para ambas, o resultado seria AMPLAMENTE diferente.

Nesse segundo exemplo, nos 162 meses do estudo, em quantos a RF estaria em vantagem em relação à renda variável?

O patrimônio em renda fixa estaria maior em 72 meses, contra 90 meses nos quais a renda variável estaria com patrimônio maior.

Creio que esse cálculo simples demonstra com rigor matemático o enorme viés favorável à renda fixa que a metodologia utilizada pela maioria dos meios de comunicação e de pesquisa carrega.

Além disso, a divulgação acaba estimulando a idéia errônea de que bolsa é “hora certa“. Na simulação que acumula patrimônio ao longo do tempo os resultados da bolsa teriam sido melhores na maioria dos períodos.

Por fim…

Ressalve-se que esse estudo nada diz sobre o futuro e nem tem por objetivo dizer qual foi ou será o melhor investimento, muito menos quer demonstrar que bolsa é melhor do que renda fixa.

Seu objetivo é simplesmente demonstrar que o método utilizado pelos principais meios de comunicação e de pesquisa é inadequado para indicar qual teria sido o melhor investimento nesses últimos anos.

Isso porque utiliza uma sistemática de investimento correta para a renda fixa e inadequada para a bolsa.

A demonstração deixou claro que, em situações equânimes, em que os investimentos regulares mitigam a “chance” de escolher pontos especialmente ruins ou bons para a bolsa, a bolsa apresentou-se, na maioria das vezes melhor do que a renda fixa.

Ah… e com uma renda fixa, às vezes, superior a 40% ao ano (alguns meses de 1999).

Por fim, dois gráficos para demonstrar a diferença entre investir regularmente (comparação de patrimônios) e investir de uma só vez (comparação de cotas):

Método tradicional (adequado para RF e inadequado para RV)

Método de aportes regulares (adequado tanto para RF quanto para RV)

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Como bater o mercado sem nem mesmo tentar? Dollar Cost Averaging.

Posted on julho 6, 2011. Filed under: Artigos sobre bolsa |

O título do post refere-se ao novo artigo de Mark Hulbert, um respeitado jornalista responsável pelo site MarketWatch e por colunas no NY Times, Barron´s e no jornal da American Association of Individual Investors.

No artigo ele relembra uma distinção importante sobre o conceito de Buy and Hold e de Dollar Cost Averaging.

O Buy and Hold puro e simples, normalmente indica compra de grandes volumes em um só ponto da curva.

O Dollar Cost Averaging, que também é uma forma de Buy and Hold, implica em comprar ações regularmente (todo mês, por exemplo) com a mesma quantidade de dinheiro.

O Primeiro Princípio do Método INI é exatamente a estratégia de Dollar Cost Averaging descrita por Mark Hulbert em seu artigo.

Leia o original em inglês clicando AQUI.

O que Hulbert mostra no artigo é que, ao comprar ações regularmente e com a mesma quantidade de dinheiro (por hipótese US$ 1.000 todo mês) o investidor vai OBRIGATORIAMENTE comprar mais ações quando a cotação estiver em baixa e menos ações quando estiver em alta. Com isso, em tese, o custo médio dele ficaria mais baixo, pois haveria uma maior quantidade de ações compradas a preços menores. Uma média ponderada pura e simples.

Mostra também que a estratégia só perderá para o Buy and Hold puro se o mercado mantiver tendência de alta com poucas oscilações ao longo dos anos.

Para os seguidores do Método INI essa técnica não é novidade, aliás é o requisito inicial e mínimo para formar patrimônio de longo prazo. É a regra número 1.

Infelizmente, por conta da euforia de 2004-2007 a maioria das pessoas colocou um grande volume de dinheiro na bolsa em curto espaço de tempo. É possível que muitas ainda estejam na bolsa, mas um pouco infelizes com a demora na recuperação das perdas.

Metaforicamente…

Quem usa o método INI se assemelha a um piloto de trator competindo num rally. O trator vai andar sempre, muitas vezes mais devagar que os outros. Muitos carros vão quebrar, por excesso de audácia ou por imperícia, mas o trator vai continuar devagar e sempre. E se as condições de tempo e terreno piorarem muito a ponto de fazer todos os outros carros pararem o trator vai continuar andando, na mesma velocidade.

Ao final, o objetivo será atingido pelo trator, provavelmente não chegará em primeiro lugar, mas não terá quebrado no meio do caminho.

Aliás, essa metáfora serve também para demonstrar a principal fragilidade do Método Dollar Cost averaging… é muito monótono. Como diz Hulbert no artigo, utilizar o método é tão excitante quanto observar a grama crescer…

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Membros Orientadores: Artigo e Blog – Arthur Vieira

Posted on junho 30, 2011. Filed under: Artigos sobre bolsa |

Visão de longo prazo

Por Arthur Vieira de Moraes

Os últimos meses não estão sendo empolgantes para os investidores em bolsa. Pouco movimento, bolsa em queda, noticiário pessimista etc.

É muito comum ver investidores perdendo a calma nesses momentos, deixando de comprar ações ou até realizando prejuízos.

Cada um tem um perfil, uma estratégia, uma forma de investir. Giros de curto prazo, alavancagem, formação de carteira para médio e longo prazo etc. Sempre digo que não há uma maneira correta, cada um com o seu perfil.

Porém muitos iniciam seus investimentos convencidos de que estão formando uma carteira de longo prazo, sabem, por ler ou ouvir dizer, que vão enfrentar momentos de queda na bolsa e que não deveriam se desesperar nesses momentos, mas… quando a queda acontece de verdade o emocional fala mais alto e a estratégia de longo prazo é deixada de lado.

Para esses, que têm (ou pretendiam ter) visão de longo prazo na bolsa, fiz umas contas simples com algumas das ações mais negociadas do Ibovespa, ampliando o campo de visão para os últimos 5 anos e meio e não apenas para os últimos meses, dias, últimas notícias etc.

Para ter acesso às tabelas e ao restante do texto clique AQUI.

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Membros Orientadores: Artigo Mauro Calil

Posted on junho 30, 2011. Filed under: Artigos sobre bolsa |

OS DOIS LADOS DAS FINANÇAS

Por Mauro Calil, Membro Orientador Credenciado do INI

Já percebeu que tudo, tudo mesmo envolve alguma quantia de dinheiro? Uma música do Silvio Brito diz tem que pagar pra nascer, tem que pagar pra viver, tem que pagar pra morrer.

Mas o que fazer para não faltar dinheiro em nenhuma fase de sua vida? Primeiro temos que compreender como as finanças permeiam as diversas fases.

Deixadas de lado atrocidades como o trabalho infantil, situação de muitas crianças, desde o nascimento e na infância, somos incapazes de gerar renda.

Dentro da normalidade de uma sociedade civilizada, toda a infância e grande parte da vida de um jovem são destinadas a consumir recursos sem que se produza nada, ou produzindo muito pouco frente ao que é demandado. As finanças desta fase podem ser encapsuladas na seguinte fórmula:

Demandas Pessoais ≥ Receitas de Provedores.

Os provedores são os pais, os familiares ou mesmo o governo e entidades que cuidam de crianças e jovens carentes.

Na juventude, existe uma demanda chamada educação formal que irá preparar o indivíduo para ser independente de provedores. Ou seja, prepara-lo para o trabalho remunerado. Neste estágio a fórmula que nos mostra o fluxo de finanças pessoais deveria ser a seguinte:

Receita de Trabalho ≥ Demandas Pessoais.

Perceba que as demandas do indivíduo passaram para o outro lado da fórmula e que outros provedores sumiram da mesma. Isso ocorre quando e somente quando o individuo se torna independente de seus pais, ou de quem quer que seja.

Concordo que a mudança é paulatina e não abrupta na maior parte dos casos. E assim deve ser. Os laços, suavemente são cortados e o filhote deixa o ninho.

Já independente, as finanças saudáveis de um individuo devem agregar outro tipo de receita. A receita de juros. Com isso temos a seguinte fórmula para as finanças pessoais dos que enriquecem:

Receita de Trabalho + Receita de Juros ≥ Demandas Pessoais.

Veja que as demandas pessoais correspondem a tudo aquilo que consome dinheiro, em maior ou menor quantidade, sendo o necessário ou o supérfluo.

Ao final da vida voltaremos a não mais trabalhar. Acredito que poucos sonham morrer em seus escritórios ou consultórios. Portanto para abdicar da receita do trabalho seu patrimônio deve ser grande o suficiente para que a receita de juros supere suas demandas pessoais na terceira idade. Nesta idade é de se esperar que a fórmula de velhinhos que fizeram sua lição de casa em educação financeira fique assim:

Receita de Juros ≥ Demandas Pessoais.

Ou seja, não é preciso mais trabalhar de forma remunerada para manter o mesmo padrão de vida.

O que mostrei até aqui é o mundo perfeito. No entanto existe um mundo financeiro mais realista e cruel. Dados oficiais mostram que somente 1% dos aposentados no Brasil alcança a condição de manterem-se inativos e com o mesmo padrão de consumo de quando trabalhavam.

A chave para a mudança é manter os juros do lado das Receitas evitando que se torne mais uma demanda. Ao consumir um refrigerador, imóvel, automóvel, ou qualquer coisa pagando em X parcelas que cabem no bolso você pagará juros e sua fórmula fica da seguinte maneira:

Receita de Trabalho ≥ Demandas Pessoais + Despesas de Juros.

Veja que pagar juros não é uma demanda natural do individuo como beber água, alimentar-se ou viver sob um teto digno. Pagar juros é uma escolha, diga-se, tão ruim quanto comer ou beber em demasia.

Ao escolher qualquer crediário você trabalhará MAIS para pagar a nova despesa (dos juros) ou te sobrará menos para suas demandas pessoais uma vez que sua renda não aumentou. Trocando em miúdos se você anda de carro por que paga pelo carro com juros? Os juros levarão seus filhos à escola? Se você conserva seus alimentos na geladeira por que pagar pela geladeira com juros? Os juros deixarão sua cerveja mais gelada?

O mundo das finanças é dividido em dois lados. O lado dos que pagam juros e o lado dos que recebem juros em suas aplicações financeiras. Escolha de que lado quer ficar e isso fará toda a diferença.

Prof. Mauro Calil Palestrante, Educador Financeiro e Autor do Livro A RECEITA DO BOLO
(www.calilecalil.com.br)

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Buy and Hold em xeque? Índice Nikkei 225

Posted on junho 21, 2011. Filed under: Artigos sobre bolsa |

Índice Nikkei 225, a bala de prata?

10 em cada 10 interessados em desestimular o uso do buy and hold na bolsa, em benefício de outras estratégias de curto prazo ou de maior risco, utilizam o histórico sofrível índice Nikkei como argumento.

E faz sentido, pois o índice japonês acumula perdas desde 1989, quando atingiu seu máximo próximo de 40.000 pontos.

Qualquer pessoa sem experiência em bolsa (e até experientes…) ficaria com receio de que algo semelhante pudesse acontecer no Brasil ou com outro índice importante.

Há alguns meses foi sugerido ao INI fazer um estudo sobre esse fenômeno, para gerar conteúdo que possa proteger os investidores de bolhas desse calibre.

Esse estudo está detalhado a seguir.

Justificativa racional 1: Índice não é sinônimo de qualidade

Antes de ir para os números e indicar a planilha com os resultados para download, vale lembrar dois pontos subjetivos, porém racionais, sobre o investimento em bolsa.

O primeiro ponto é que investir no índice não é sinônimo de investir em qualidade. Normalmente se está optando por comprar ações mais negociadas, deixando de lado ações iniciantes, pagadoras de dividendos ou small caps.

Houve um período em que o Ibovespa era dominado por empresas de telefonia, mas para quem investiu em bancos e commodities, ganhar do índice foi bem simples nessa época.

O Método INI – www.ini.org.br (ver outros posts no blog) é um método de seleção de ações de crescimento a múltiplos atraentes. É utilizado nos EUA e na Europa há 60 anos, com meta de 14,9% ao ano. Alta para países desenvolvidos.

Para quem quiser um exemplo do método INI (Stock Selection Guide) em comparação com o índice, veja no site do “INI” do Canadá: www.shareowner.com.

Não é impossível (mas também não é fácil) investir de forma ativa para bater o índice. Os principais professores, escritores e analistas no mundo inteiro não recomendam.

Em resumo: investir no índice pode até ser buy and hold, mas é investimento passivo.

Justificativa racional 2: Não se pode ignorar a história.

No livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”, é discutido, do ponto de vista macroeconômico e comportamental, o fenômeno japonês.

A pessoa que busca alardear um eventual risco de o fenômeno Nikkei 225 se repetir no Brasil, por exemplo, não conhece as condições únicas que envolveram essa queda de 60% em mais de 20 anos.

Há uma conjunção de decisões macroeconômicas, muitas induzidas pelos EUA, que formaram aquela bolha impressionante. O P/L médio do bolsa japonesa bateu 70 no final da década de 1980.

Os japoneses sentiram durante alguns anos um enriquecimento sem precedentes, em termos internacionais. O valor das propriedades no Japão superava e muito o valor das propriedades em outras partes do mundo. Um quarto e sala em Tóquio daria para comprar Ipanema (é só brincadeira para descontrair…, mas ainda bem que não compraram!).

Não é necessário que nos estendamos sobre isso, mas vale ler sobre o assunto, pois ficará EVIDENTE que a China, ao evitar a valorização abrupta do Yuan, tenta fugir de cair na mesma armadilha em que o Japão caiu.

E mais uma vez, sob pressão dos EUA.

O Estudo

Planilha Índice Nikkei 1950 – 2010

Os detalhes estão na planilha acima. São muitos números, traduzidos a seguir.

Antes de partir para os resultados, é importante lembrar que bolsa é um investimento alternativo a renda fixa e a outras modalidades.

Ao se deparar com um crescimento de 4% ao ano durante 20 anos, um brasileiro iria se sentir lesado, porém um japonês veria como uma benção, pois teria 8 vezes o que ganharia se estivesse em renda fixa.

Um outro ponto é que o índice nikkei está em ienes, se fosse em dólar haveria, de 1985 até hoje, uma valorização extra de quase 400% por conta do câmbio (sem descontar a inflação). Se fosse contabilizada a valorização da moeda japonesa desde 1950 (ano inicial do estudo), essa rentabilidade seria muito maior.

Ainda assim o resultado é ruim, apesar de não ser desastroso como muitos imaginam.

Foi simulado um investimento de 10.000 ienes ao final de cada ano, de 31/12/1950 até 31/12/2010. O ano de 1950 foi escolhido por ser o início mais “confiável” em termos de banco de dados.

Entre 1950 e1989

Para aqueles que começaram de 1950 em diante e mantiveram seus investimentos até o ano de 1989 (período máximo de 39 anos), as rentabilidades foram excelentes, para padrões de países desenvolvidos.

Foram, portanto, quase 40 anos de Bull Market. Isso, inclusive, entrou no caldeirão comportamental que gerou a bolha nos ativos japoneses.

Bull Market por 40 anos??? Em casos como esse ninguém se arrisca a dizer que haverá um Bear Market.

Isso aconteceu, em menor escala, no Brasil de 1967 a 1971 e também entre 2002 e 2008. Parecia jogo de ganho certo.

Até 1995… deu!

Mesmo para quem iniciou e terminou seus investimentos entre 1950 e 1995, a situação foi bem interessante, bem melhor do que a renda fixa japonesa.

De 1995 a 2010, lamentável

Por conta de um país estagnado, sem crescimento econômico relevante. Por conta de um iene supervalorizado, o que deixa o japonês RICO em termos relativos, mas desestimula as exportações e o investimento produtivo no Japão. Os últimos 15 anos do estudo foram sofríveis para a bolsa japonesa.

Para se ter uma idéia, só ganhou quem iniciou seus investimentos entre 1950 e 1973, daí por diante só perdas.

Mas no resumo geral, não foi tão ruim.

Tendo em vista que o Japão trabalha com taxas próximas a zero na renda fixa há muitos anos, não faz sentido esperar do Nikkei rentabilidades de países em crescimento.

O pior resultado foi para quem iniciou seus investimentos em 31/12/2006 e encerrou em 31/12/2008. Estaria amargando uma perda anual de 11,04%.

Todas as outras perdas superiores a 8% também se referiam a períodos MENORES que 5 anos, o que não caracteriza longo prazo.

De todos os 1.830 resultados possíveis, houve 1.477 resultados positivos (80,7%) contra 353 resultados negativos (19,3%).

De todos os 1.830 resultados possíveis, houve 756 resultados SUPERIORES a 5% ao ano em média (41,3%) contra apenas 30 resultados com perdas superiores a 5% ao ano (1,6%).

De todos os 1.830 resultados possíveis, houve 73 resultados SUPERIORES a 10% ao ano em média (3,98%) contra apenas 3 resultados com perdas superiores a 10% ao ano (0,16%).

Last, but not least…

No Japão, como não poderia deixar de ser num país de renda fixa ZERO, a indústria de fundos tem perto de 80% de seu patrimônio investido em renda variável. No Brasil essa percentual mal chega a 15% (ver ANBID).

A bolha deixou estragos bem grandes, mas o resultado “ponto a ponto” não foi de todo ruim. Em 60 anos a bolsa saiu de 100 pontos para chegar a 10.000 pontos. Uma média de 8% ao ano. Superior até à média do Dow Jones e do S&P 500.

Na realidade, o resultado da bolsa até que foi bom, o problema é que para chegar a 10.000 pontos em 2010, ela precisou passar por 40.000 em 1989. Fui uma curva e tanto. Foi do Rio à Fortaleza por Vancouver.

E isso sem considerar a valorização do iene, que deixou os japoneses quase 4 vezes mais ricos em dólar.

A principal lição que resta do caso japonês não é “abandonar” a formação de patrimônio de longo prazo e abraçar o trade, mas sim ter consciência de que a exuberância irracional é dolorosa e tem prazo para terminar.

Os japoneses apostaram num Bull Market Forever, e também achavam normal que o terreno do palácio imperial valesse mais do que todo o estado da Califórnia.

E essa é uma crença que agrada… mas machuca muito quando a realidade se impõe.

Que o digam os operadores a descoberto no mercado a termo brasileiro entre 2007 e 2008.

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O Método dos Aportes Dobrados – Técnicas para gestão de aportes em carteira própria e em fundos de Ações

Posted on novembro 11, 2010. Filed under: Artigos sobre bolsa |

Gestão de carteira, segundo o livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”

No livro acima citado há um “episódio” que estuda os efeitos da gestão de carteira pessoal, dividindo o portfolio em 50% de títulos de renda fixa e 50% em ações (índice).

Pelo método, o investidor deveria ajustar a carteira para os percentuais iniciais toda vez que houvesse uma discrepância entre os montantes de 5%, 10%, 20%, 30% ou 40%.

Ficou evidente que uma gestão ativa ofereceu resultados melhores (com base nos últimos 11 anos) do que uma gestão passiva.

Muitos investidores seguem esse modelo, alguns com outros blends entre renda fixa e renda variável, tais como 20%-80%, 30%-70% e assim por diante.

Mas e como cuidar dos aportes regulares (mensais, semanais, bimestrais etc.)?

Alguns investidores perguntam se há alguma estratégia OBJETIVA para distribuir seus aportes mensais em fundos ou em carteira própria.

Antes de prosseguir, vale um parênteses sobre o que seria uma estratégia de verdade e uma pseudo-estratégia.

Quando o investidor diz que faz aportes regulares, e quando a bolsa cai ele aumenta o valor dos aportes, não está definindo uma estratégia, pois faltam parâmetros objetivos para que ela possa ser testada.

Falta definir a periodicidade, os valores, o incremento no aporte, enfim, não é uma estratégia OBJETIVA o suficiente para virar um estudo.

A seguir será testada uma estratégia objetiva que pode ajudar os que querem fazer aportes regulares, mas não querem perder boas oportunidades geradas pela oscilação natural da bolsa.

O Método dos Aportes Dobrados

É um método simples, que consiste em dobrar o aporte do mês anterior, caso a bolsa (ou a ação, ou a cota do fundo) esteja em queda. Naturalmente reduzir à metade caso esteja em alta.

Para o estudo, consideram-se os seguintes parâmetros:

  • Período: de Janeiro de 1998 a Outubro de 2010 (154 meses)
  • Caso 1: Aporte mínimo de R$ 100,00 e máximo de R$ 800,00
  • Caso 2: Aporte mínimo de R$ 100,00 e máximo de R$ 3.200,00
  • Caso 3: Aporte mínimo de R$ 100,00 e máximo de R$ 12.800,00

Vai ser simulada a compra do Ibovespa ao final de cada mês do estudo. O aporte inicial será de R$ 100,00. Os aportes subseqüentes serão dobrados, caso o índice caia ao final do mês seguinte, ou reduzidos à metade, caso a bolsa suba (respeitando os limites expostos acima).

Para efeito de comparação, será feita a mesma simulação só que com o valor médio dos aportes (sem dobrar ou reduzir à metade). Dessa forma a comparação fica precisa, pois o volume total aportado nos 154 meses será idêntico.

Veja na tabela a seguir o exemplo para o primeiro ano.

Em janeiro de 1998 R$ 100,00 comprariam 0,0103 do Índice, que estava em 9.720 pontos. Nos meses seguintes não houve alteração do aporte, pois a bolsa subiu.

Na primeira queda, em abril de 1998, o aporte foi dobrado para R$ 200,00. O aporte foi dobrado para R$ 400,00 em maio e para R$ 800,00 em junho, pois a bolsa continuava em queda.

Já em julho a bolsa apresentou alta novamente, portanto o aporte foi reduzido à metade. É importante lembrar que devem ser respeitados os limites dos casos propostos no estudo (R$ 100 a R$ 800 no caso 1, R$ 100 a R$ 3.200 no caso 2 e R$ 100 a R$ 12.800 no caso 3).

Resultados

Em todos os casos foi melhor utilizar o Método dos Aportes Dobrados do que aportar valores idênticos, ao menos para o período estudado.

Caso 1: Aporte mínimo R$ 100,00 e aporte Máximo R$ 800,00

  • Total aportado: R$ 41.800
  • Média dos aportes: R$ 271,43
  • Patrimônio total ao final de 154 meses: R$ 174.945 – Usando o Método
  • Patrimônio total ao final de 154 meses: R$ 156.294 – Sem usar o Método
  • Quem usou o método obteve um patrimônio 11,93% maior.
  • Rentabilidade anual com o método: 11,80%
  • Rentabilidade anual sem o método: 10,82%

Caso 2: Aporte mínimo R$ 100,00 e aporte Máximo R$ 3.200,00

  • Total aportado: R$ 86.200
  • Média dos aportes: R$ 559,74
  • Patrimônio total ao final de 154 meses: R$ 399.157 – Usando o Método
  • Patrimônio total ao final de 154 meses: R$ 322.309 – Sem usar o Método
  • Quem usou o método obteve um patrimônio 23,84% maior.
  • Rentabilidade anual com o método: 12,69%
  • Rentabilidade anual sem o método: 10,82%

Caso 3: Aporte mínimo R$ 100,00 e aporte Máximo R$ 12.800,00

  • Total aportado: R$ 202.900
  • Média dos aportes: R$ 1.317,53
  • Patrimônio total ao final de 154 meses: R$ 1.093.578 – Usando o Método
  • Patrimônio total ao final de 154 meses: R$ 758.660 – Sem usar o Método
  • Quem usou o método obteve um patrimônio 44,15% maior.
  • Rentabilidade anual com o método: 14,03%
  • Rentabilidade anual sem o método: 10,82%

Considerações sobre os resultados

É natural que os valores máximos e mínimos sejam estabelecidos pela capacidade financeira do investidor, mas é bem claro que o método funcionou em todos os casos, e quanto maior a disponibilidade financeira para dobrar o aporte, mais dilatada ficou a diferença entre usar e não usar o método.

As rentabilidades anuais podem parecer pequenas, mas é importante lembrar o seguinte:

  • O índice não é um indicador de qualidade dos ativos, mas de seu volume de negociação. Houve inúmeras empresas e fundos, nesse mesmo período, com resultados muitíssimo superiores aos do índice.
  • Não foi considerado o reinvestimento dos dividendos. Para um yield de 5% ao ano, isso poderia significar mais 88% no patrimônio em 154 meses. As rentabilidades subiriam para entre 16,5% e 19% ao ano.

O Método funciona mesmo para variações aleatórias

Como último teste, foi feita uma simulação considerando valores aleatórios entre 5.000 e 73.000 no período de janeiro de 1998 e outubro de 2010.

Mesmo assim quem tivesse utilizado o método, teria alcançado um resultado 30% superior.

A fonte dos dados está na planilha que pode ser baixada aqui.

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Falta de Educação Financeira Pode Fazer Investidor Levar 4 Vezes mais Tempo para Alcançar a Liberdade Financeira

Posted on novembro 11, 2010. Filed under: Artigos sobre bolsa |

Breve histórico

O Brasil foi, provavelmente, o maior amigo dos rentistas durante a década de 1990 e o início dos anos 2000.

Para ilustrar esse fato, pegue a inflação anual em 1998, medida pelo IPCA, que foi de 1,66%. Pois só no mês de outubro daquele ano, já descontado o imposto de renda, a rentabilidade mensal da SELIC foi de 2,94%.

Só a partir do final do ano de 2007 é que as taxas mensais, baseadas na SELIC, ficaram abaixo de 1%.

Quase todos os economistas concordam que, para o desenvolvimento sustentável do país, esses juros mais baixos precisam se manter e, preferencialmente, ficar ainda menores.

Para o bem da economia do país, mas não para aqueles que viviam de renda, a época dos juros nas alturas parece ter ficado para trás.

A educação financeira ficou ainda mais importante

Sempre foi desejável conhecer melhor o mundo dos investimentos, bolsa de valores, imóveis, debêntures e outros veículos para acumular patrimônio no longo prazo. Porém, com taxas de juros de 26,5% ao mês, sem qualquer esforço um investidor poderia ter rentabilidades superiores às obtidas pelos melhores fundos de ações do planeta.

Estima-se que a rentabilidade média obtida por Warren Buffet e George Soros circulam entre 20% e 25% ao ano. Qualquer um conseguia números dessa grandeza investindo em renda fixa no país.

Hoje, a opção por deixar todos os investimentos em instrumentos de risco “zero” ou muito baixo, pode fazer com que o investidor jamais consiga atingir o status de Liberdade Financeira, conforme proposto e instrumentalizado no livro “Quanto Custa Ficar Rico?”.

A Riqueza, segundo o livro

Sem entrar em detalhes e refinamentos constantes no livro, o conceito de Riqueza significa, em outras palavras, Liberdade Financeira Plena.

Apresentar um Índice de Riqueza Pessoal (IRP) de 100% significa que o indivíduo pode ter suas necessidades de subsistência integralmente cobertas pelo yield líquido de seus ativos. Yield líquido é a remuneração em dinheiro de seus ativos, livre de inflação.

Não há qualquer relação com consumo de bens de luxo, carrões, grandes restaurantes ou vinhos de US$ 6.000,00. Para a maioria dos livros de finanças pessoais, isso não é Riqueza. Isso é consumo.

Quanto tempo leva para ficar atingir essa liberdade financeira?

Para mostrar o impacto da educação financeira na formação de patrimônio e no status de Riqueza dos indivíduos, propõe-se o estudo a seguir.

O estudo compara três investidores, um com elevado conhecimento das alternativas de investimento, outro com bom conhecimento de instrumentos de renda fixa e um terceiro que utiliza somente os instrumentos de risco mínimo e quer total comodidade.

Condições básicas para os 3 investidores:

  • Todos partem de patrimônio ZERO.
  • Conseguem poupar 20% de sua renda anual
  • Como conseqüência direta, conseguem viver com 80% de sua renda anual
  • Inflação de 4,0% ao ano para os próximos anos.

Características específicas dos investidores:

Investidor A – elevado grau de conhecimento sobre investimentos

  • Esse investidor consegue, durante o período em que está acumulando patrimônio, uma rentabilidade média de 20% ao ano, com renda variável focada em longo prazo e reinvestimento de dividendos. Essa rentabilidade já é livre de IR* e não desconta a inflação (ou seja, é rentabilidade nominal).
  • No momento em que precisa “remunerar o patrimônio“, ou seja, maximizar o yield ele é capaz de migrar sua carteira de investimentos para um portfolio que lhe dê 7,0% ao ano, já descontada a inflação, em dividendos e juros de títulos públicos e privados.

* O investidor de longo prazo em bolsa de valores tem instrumentos simples para evitar carregar um grande estoque de imposto, conforme visto no livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”.

Investidor B – Conhece bem os instrumentos de renda fixa, mas não usa instrumentos de renda variável.

  • Esse investidor consegue, durante o período em que está acumulando patrimônio, uma rentabilidade média de 9% ao ano, com renda fixa, pública e privada. Essa rentabilidade já é livre de IR e não desconta a inflação (ou seja, é rentabilidade nominal).
  • No momento em que precisa “remunerar o patrimônio“, ou seja, maximizar o yield ele é capaz de migrar sua carteira de investimentos para um portfolio que lhe dê 5,0% ao ano, já descontada a inflação, em juros de títulos públicos e privados.

Investidor C – Não tem qualquer conhecimento sobre opções de investimento. Prefere poupança ou fundos de renda fixa com elevada taxa de administração.

  • Esse investidor consegue, durante o período em que está acumulando patrimônio, uma rentabilidade média de 7,0% ao ano, com caderneta de poupança e fundos de renda fixa com elevado custo operacional. Essa rentabilidade já é livre de IR e não desconta a inflação (ou seja, é rentabilidade nominal).
  • No momento em que precisa “remunerar o patrimônio“, ou seja, maximizar o yield ele não é capaz de migrar sua carteira de investimentos para um portfolio de maior yield e mantém as mesmas aplicações, o que lhe rende 3,0% ao ano, já descontada a inflação, em juros de poupança e fundos.

Resultados

  • O Investidor A conseguiria acumular patrimônio suficiente para financiar sua subsistência exclusivamente com o yield de seu portfolio em 15 anos e 11 meses.
  • O Investidor B conseguiria acumular patrimônio suficiente para financiar sua subsistência exclusivamente com o yield de seu portfolio em 33 anos e 7 meses.
  • O Investidor C conseguiria acumular patrimônio suficiente para financiar sua subsistência exclusivamente com o yield de seu portfolio em 55 anos e 6 meses.

O que se pode ler do estudo é que, no Brasil de juros mais modestos, o investidor vai precisar incrementar seu conhecimento sobre instrumentos de renda variável, se quiser atingir a Riqueza, ou a Liberdade Financeira Plena, em um tempo mais curto.

É importante ressaltar que as rentabilidades sugeridas são hipotéticas. Apesar do histórico da bolsa brasileira indicar rentabilidades muito superiores aos 20% obtidos pelo Investidor A, esse patamar não é baixo e vai requerer, no mínimo, intimidade com o mercado, intimidade com as empresas em que investe e muita disciplina para reinvestir todos os ganhos durante o período de semeadura.

Para fazer seu próprio cálculo, há duas planilhas disponibilizadas para download a seguir:

– Planilha 1: Quanto tempo leva para atingir a liberdade financeira, partindo de patrimônio ZERO?

– Planilha 2: Quanto tempo leva para atingir a liberdade financeira, partindo do patrimônio atual?

Importante! Os cálculos são complexos e requerem métodos numéricos, portanto é necessário habilitar as macros (programação) das planilhas.

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Como Escolher uma Corretora para Começar a Investir em Ações?

Posted on outubro 29, 2010. Filed under: Artigos sobre bolsa |

A dúvida mais freqüente entre os iniciantes

Quem já foi a uma palestra ou curso sobre o Método INI sabe do seu poder de estimular pessoas que nunca investiram em ações a darem os primeiros passos na bolsa de valores.

O motivo de tamanho estímulo é muito simples. O Método INI é um dos únicos conteúdos educacionais, na área de bolsa de valores, que atende aos anseios dos tradicionais investidores de poupança e renda fixa.

Um investidor conservador consegue ver, durante um curso, que o comportamento sugerido e as ferramentas oferecidas constituem um modo de entrar no mercado sem se expor a riscos exagerados e com tempo suficiente para ganhar experiência e conhecimento nessa modalidade de investimento.

A pergunta que sempre vem depois é: – Como faço para entrar no mercado de ações?

Como o primeiro passo é sempre procurar uma corretora, esse artigo procura discutir os parâmetros mais relevantes na hora de escolher a sua.

Corretoras para investidores experientes A Vitrine de Corretoras

Como sugerido no título, não é para esse público que este artigo está destinado, porém há uma dica preciosa para os investidores que necessitam de ferramentas mais complexas e velozes.

Para os mais experientes, para os que utilizam técnicas de curtíssimo prazo, para os que procuram carteiras administradas, para os que utilizam derivativos, termo e outras opções mais complexas de investimento, a escolha é, realmente, muito complexa e subjetiva.

Quanto à parte subjetiva, pouco se pode dizer, mas para saber se uma corretora atende a todas as necessidades, tanto técnicas quanto geográficas, a BM&F Bovespa lançou uma ferramenta chamada Vitrine de Corretoras onde qualquer investidor poderá descobrir quais intermediários atendem a suas necessidades.

Para acessar, clique AQUI.

Corretoras para investidores iniciantes

Para iniciantes a situação é bem menos complexa. Ou deveria ser, mas infelizmente há pessoas sem qualquer experiência entrando em bolsa diretamente nos mercados de futuros, termo e opções. Muitas vezes alavancados.

Antes de prosseguir, saiba que utilizar instrumentos derivativos SEM CONHECIMENTO E EXPERIÊNCIA é como atravessar uma rua movimentada de olhos vendados. Se o leitor se encontra nessas condições, a sugestão é rever seus conceitos. Talvez buscar aconselhamento em outros médicos (corretoras) ou fazer alguns cursos sobre o assunto.

Mas para quem entende que bolsa é poupança de longo prazo e sabe que é preciso longos meses, até anos, para ter intimidade com as ferramentas e com as companhias em que investe, a decisão sobre a corretora ideal fica mais simples.

Parâmetros fundamentais para a escolha de sua corretora Iniciantes

Geografia

Ter uma corretora perto de sua casa, ou em sua cidade, não é, de forma alguma, pré-condição para ser bem atendido ou para abrir uma conta.

A maioria absoluta de investidores iniciantes, principalmente aqueles com aportes menores, utilizam ferramentas virtuais para realizar suas operações com ações.

Pode ser que o trânsito de documentos fique um pouco mais complexo, pelo uso do correio, mas feito o cadastro, raramente é necessário ir até o escritório da corretora. Todo o processo costuma ocorrer em frente a um computador, via Home Broker, Skype, MSN e outros instrumentos de comunicação de custo baixíssimo para falar com a corretora, com os agentes autônomos, com outros investidores e com analistas.

E para aqueles que realmente fazem questão de visitar o escritório da corretora, a boa notícia é que muitas têm representantes (agentes autônomos) em centenas de cidades brasileiras. A Vitrine de Corretoras da BM&FBovespa ajuda a achar esses representantes.

Taxa de Corretagem

O intermediário (corretora) cobra um percentual do valor transacionado a título de corretagem. A bolsa também cobra outras taxas, geralmente menores que a da corretora.

Nesse caso já é necessário algum cálculo para evitar custos de transação excessivos, isso porque algumas corretoras oferecem taxas fixas e outras utilizam a Tabela Bovespa, que é uma sugestão de custos que variam de acordo com o volume e a natureza da operação. Normalmente os custos com base nessa tabela são chamados de corretagem cheia.

Como a Tabela Bovespa lhe garante uma corretagem máxima de 2% sobre o valor da operação, pode-se considerar que esse é o máximo aceitável para um investidor iniciante.

Dessa forma, na hora de escolher entre corretagem fixa ou variável, ele deve considerar sua expectativa de movimentação para definir racionalmente seus custos.

A conta precisa é um pouco complexa, mas pode ser aproximada por algo bem simples. Se sua corretora tem uma comissão fixa de R$ 15,00 por operação, o divisor de águas é o montante R$ 750,00 por operação (R$ 15,00 ÷ 2%). Se for operar sempre com valores superiores a esse, a corretagem fixa é mais vantajosa. Se for operar sempre abaixo, a corretagem variável vai ser a mais indicada.

Há corretoras que querem se diferenciar por preço e outras por serviços agregados. Por isso, há corretagens fixas variando de R$ 2,50 a R$ 30,00 por operação, assim como há corretagens variáveis indo de 0,3% a 2% por operação.

Taxa de Custódia

As ações podem ser custodiadas (guardadas) nos bancos designados pelas Companhias Abertas ou na CBLC. A vantagem de ter ações custodiadas nesta última é que estão disponíveis imediatamente para negociação. Mas há um custo para essa facilidade.

Assim como na corretagem, há intermediários que nada cobram pela custódia (mediante alguma outra compensação) e outros que chegam a cobrar R$ 30,00 por mês. Para valores custodiados muito elevados, pode haver outros custos envolvidos.

Muitas vezes as corretoras que cobram preços mais elevados embutem vários serviços que podem ou não ser do interesse do investidor. Essa percepção só ficará clara quando o mesmo desenvolver habilidade suficiente para distinguir o que lhe é realmente importante.

Subjetividades à parte, também é possível estabelecer um divisor de águas para a taxa de custódia.

A outra opção para o investimento em bolsa seriam os fundos de ações. Um fundo costuma cobrar entre 2% e 4,5% de taxa de administração, sobre o valor do patrimônio, dependendo de suas características.

Pegando uma média de 3% de taxa de administração, caso optasse por um fundo, e um valor mensal de custódia de R$ 10,00, que é um bom indicador médio para carteiras de pequeno e médio portes, o investidor deveria ter pelo menos R$ 4.000,00 (R$ 120,00 ÷ 3%) em custódia para que seus custos operando sozinho sejam equivalentes aos de utilizar fundos de ações.

Há uma grande quantidade de corretoras que não cobra do cliente a taxa de custódia, mas comumente exigem um determinado número de operações por mês.

Medos e riscos

Outro obstáculo ao investidor iniciante é o medo de se envolver em algo que não conhece.

Infelizmente, ensinar o operacional da bolsa, de compra e venda, de envio de dinheiro, de retirada de dinheiro, não é eficaz na teoria. É como dar aulas teóricas sobre andar de bicicleta. Pode ajudar, mas não vai resolver.

Mesmo os simuladores ajudam um pouco no operacional, mas difundem um sentimento irreal e que, ao contrário do que se imagina, podem afastar de vez o investidor conservador da bolsa.

Ao receber R$ 200.000,00 de dinheiro virtual, ele faz operações que jamais faria com R$ 200,00 de dinheiro próprio. Mesmo que ganhe muito na simulação, se é conservador, vai entender que aquela loteria não é para ele. E se não é conservador, e ganhar muito, é capaz de iniciar seus investimentos com aporte desproporcional ao seu conhecimento.

A mecânica das operações básicas do mercado só vai ser REALMENTE aprendida na prática. Não há outra instância a recorrer.

Seu risco será reduzido se seguir os dois primeiros princípios do Investidor Consciente. O primeiro é investir sempre e um montante adequado (de acordo com seu patrimônio e renda), e o segundo é reinvestir todos os ganhos que obtiver no mercado.

Se a bolsa cair 50% e você tiver comprado R$ 200,00 em ações, verá seu patrimônio cair para R$ 100,00, mas poderá comprar mais ativos por preços baixos durante a crise. Mas se colocou tudo o que tinha, por hipótese, R$ 200.000,00, não haverá o que fazer, ao menos não será possível equilibrar suas compras nos momentos de bolsa depreciada, pois todo seu dinheiro já está no mercado.

A bolsa para todos os bolsos!

Antes da revolução promovida pela tecnologia de informação nas operações de bolsa, investir em ações era um pouco caro para o pequeno poupador. As corretoras, pelos elevados custos de relacionamento, comunicação e oportunidade, davam pouca atenção a esse público.

De alguns anos para cá, o custo operacional e acesso à informação caíram o suficiente para que se possa dizer: Investir em bolsa é para todos os bolsos!

Não há mais desculpa para não começar a conhecer o mercado de ações.

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