Corrigindo outros equívocos: Dollar Cost Averaging x Lump Sum Investing

Posted on julho 13, 2011. Filed under: Artigos sobre bolsa |

O INI é uma instituição com objetivos educacionais, não comerciais

É importante começar o artigo por essa frase, pois enfrentamos algumas adversidades e opiniões contrárias às posições do instituto, algumas até bem agressivas, que normalmente são provenientes de pessoas que não conhecem o papel e os objetivos do INI.

O INI representa no Brasil a mais bem sucedida experiência educacional no que se refere ao investimento em bolsa de valores.

Os princípios e a metodologia que o INI difunde ensinaram milhões de pessoas a investir em bolsa de forma consciente em 20 países, ao longo dos últimos 62 anos. (Ver www.betterinvesting.org, www.shareowners.com, www.wfic.org, www.ffci.fr entre outros “INIs” do mundo).

As posições do INI não têm apenas valor técnico, têm também, e principalmente, valor didático, pedagógico e psicológico. Além de uma tremenda responsabilidade social, afinal estamos trabalhando a poupança dos brasileiros.

Investir regularmente (Dollar Cost Averaging – DCA) ou de uma só vez (Lump Sum Investing – LSI)

Sempre que postamos algum artigo, amplamente fundamentado e transparente, pois divulgamos a origem dos dados, a metodologia e todas as contas, surgem comentários em blogs e fóruns, alguns bem depreciativos.

A divergência, quando educada e fundamentada, é o que nos faz refletir e crescer. E fazer contas.

Aos defensores do investimento em bolsa de uma só vez (LSI) e aos detratores do investimento regular, cabe pontuar as diferenças psicológicas e pedagógicas entre os métodos. Depois volto com as contas e divulgo a planilha com os resultados.

Quais as vantagens que o DCA apresenta em relação ao LSI?

Antes, vale reforçar que o objetivo educacional do INI não é direcionado prioritariamente a investidores experientes, mas principalmente aos milhões de não-investidores que a bolsa deseja atrair para o mercado. Os experientes são bem vindos, mas talvez achem o Método INI muito simples.

Bolsa não se aprende por teoria, apenas na prática

O iniciante, ao optar por colocar um dinheiro relevante na bolsa de uma só vez, queima muitas etapas necessárias à sua formação como investidor.

Aprender sobre os mecanismos da bolsa e das operações mais simples, tê-los dominados, leva de 3 a 6 meses.

Aprender sobre os ativos em que investe (empresas), ter intimidade com eles, com os números, é coisa para 1 a 2 anos.

Isso sem falar em sofisticações e derivativos, elementos fora do escopo do INI.

Ao utilizar o DCA ele terá o tempo necessário, sem expor um capital relevante.

Vantagem didática e pedagógica para o DCA.

Leva tempo para descobrir seu perfil

Essa é outra revelação que leva tempo e requer experiência. Qual o seu perfil como investidor? Como pode colocar todo o dinheiro (ou muito) de uma só vez se nem sabe quais serão suas reações às peculiaridades da renda variável?

Mais uma vantagem do DCA, dar-lhe tempo para se descobrir.

Síndrome da perna-trocada

Diz-se em bolsa que o investidor “trocou as pernas” quando compra na alta e vende na baixa. Pois é essa a experiência da esmagadora maioria dos investidores iniciantes que utilizam o LSI (colocam um dinheiro relevante de uma só vez).

E não é culpa do LSI, mas da própria formação psicológica dos indivíduos. O sentimento natural é querer muito entrar na bolsa quando esta está em alta e querer muito vender quando desaba.

Seu amigo ganhou dinheiro, um vizinho ganhou dinheiro, seu cunhado ganhou dinheiro. É nessa hora que todos pensam em entrar. Isso é facilmente verificável pela quantidade de novos investidores entre 2006 e 2008. Mais que dobrou o número de investidores na bolsa.

Quando desaba, todos querem sair e lamentam não ter saído antes. De 2008 até hoje, a bolsa tem, praticamente, a mesma quantidade de investidores.

Até o investidor conseguir modificar esses valores e essa percepção, ou seja, sentir vontade de entrar quando cai e não quando sobe, lá se vão alguns anos de experiência e, principalmente, de mudança cultural, de valores.

Experiência e cultura que 300.000 novos investidores não tinham quando colocaram dinheiro relevante na bolsa entre 2006 e 2008.

Vantagem psicológica para o DCA!

Formar patrimônio X Gerir patrimônio

Bem, esse último item já separa de forma irreversível as técnicas LSI e DCA.

DCA é adequado para quem quer formar patrimônio ao longo dos anos. Aquela pessoa que não tem recursos relevantes, mas quer, aos poucos, construir patrimônio e ter uma renda para compor sua aposentadoria.

Para esse perfil, que é o perfil da maioria da população brasileira (excluindo devedores contumazes), não existe a opção do LSI. Não existe investir de uma só vez R$ 10.000, R$ 20.000, R$ 100.000. Existe apenas R$ 200, R$ 300, R$ 50 por mês.

Para quem tem dinheiro, a decisão é de gestão e não de formação. Mas mesmo essa pessoa vai precisar pagar todos aqueles “pedágios” de experiência, caso seja iniciante em bolsa de valores.

Demonstra a adequação da atuação do INI, na defesa do DCA. É uma questão de responsabilidade, de formação de cultura e de valores, não meramente “descobrir” e “revelar” o melhor método, a melhor aplicação. Não é esse o papel do Instituto.

Fazendo contas sobre LSI e DCA

Partindo da premissa que a bolsa, no longo prazo, tende a subir, o LSI seria melhor do que o DCA, ou seja, colocar todo o dinheiro de uma só vez seria mais lucrativo do que dividir os aportes.

Os sites alegam que isso ocorre em 2/3 dos períodos. Ou seja, em 2/3 dos meses o LSI ganharia e em 1/3 o DCA ganharia.

Fizemos as contas e essa realidade também se verificou no Brasil de janeiro de 1998 a junho de 2011. Não dá exatamente 1/3, a divisão é 41% (66 períodos em 162 possíveis) com ganho para o DCA e 59% onde o LSI teria melhor retorno.

Ver resultados completos AQUI.

Sem considerar as vantagens psicológicas e didáticas aos iniciantes, há uma consideração estatística que neutraliza essa vantagem que o LSI levaria sobre o DCA.

A mais simples de todas: RISCO.

O Risco é uma medida baseada na volatilidade de uma variável.

E a regra mais simples das finanças é que a relação entre risco X retorno é diretamente proporcional. Quanto maior o risco, maior deverá ser o retorno.

Ao assumir um comportamento de maior risco, é razoável esperar um retorno maior, mas também há possibilidade de perdas maiores.

Veja o gráfico da rentabilidade do DCA e do LSI ao longo dos 162 meses:

Não há qualquer dúvida de que o risco do LSI é muitíssimo superior ao do DCA.

E a pergunta que resta é: O maior risco, compensa o maior retorno?

A matemática e a estatística podem modelar isso e responder, para um determinado conjunto de dados, se o retorno compensa o risco.

Mas o ponto do artigo não é esse. E, acreditamos, já deve ter ficado claro o suficiente até aqui.

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14 Respostas to “Corrigindo outros equívocos: Dollar Cost Averaging x Lump Sum Investing”

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Ficou muito bom o artigo, muito obrigado pela resposta!

Creio que a questao é justamente essa: a diferença entre gestao de patrimonio X formação de patrimonio.

O DCA é, sem duvidas, uma belíssima estrategia quando estamos em fase de acumulação. Creio que nem mesmo o autor do referido blog pense diferente, pois, ao que parece, ele faz o mesmo (investe parte do salario todo mes).

E mesmo em relaçao a quem ja tem uma boa grana para investir, ainda nao me convenci de que o LSI seja uma estrategia tao mais eficiente em relaçao ao risco que ela proporciona ao portfolio, ja que tem muito a questao do Market Timing envolvida.

Todos sabemos que o risco relativo à volatilidade da carteira como um todo tem que ser considerado de alguma forma.

Obrigado,

Leonardo

Artigo muito elucidativo e educacional. Não importa se vc se encontra ainda na fase de formação de capital ou já dispõe de acumulação e busca uma melhor rentabilidade para seu capital. Ao examinar o arquivo anexado chega-se a conclusões bem claras a respeito do DCAxLSI.
Respeito aos conceitos: segurança, rentabilidade e liquidez.

E mais: ainda penso que há uma diferença gritante entre utilizar o LSI comprando o Indice IBOV, DJOW, ou qualquer outro, ou comprando as empresas X, Y e Z.

Veja-se que no primeiro caso o risco empresa esta eliminado, restando somente o risco bolsa. Aí, talvez ate mesmo faça mais sentido investir tudo de uma vez (levando-se em conta a tendencia de longo prazo). Mas comprando ações de empresas individuais, o risco é muito maior (apesar de ser mitigável mediante diversificação).

Excelente artigo! Consegue ser profundo de forma didática. Parabéns.

Quero manifestar meu apreço e apoio ao pessoal do INI, que realiza um ótimo trabalho de educação financeira e divulgação do mercado de capitais como investimento para formação de patrimônio. Conheço a proposta do INI desde 2004. Nada a contradizer.
Não relevem os comentários agressivos recebidos por parte de alguns. Primeiro pq partem de pessoas sem noções elementares da boa educação e segundo não sabem conviver com divergências. Em resumo: são de índole estúpida e autoritária.
Ainda bem que trata-se de uma inconsequente minoria.
Congratulações a toda equipe !!!

PS: Ainda que mal pergunte, quando serão impostos os dados de 1T11 na TIB ?

Oi Raymundo,
Muita gente não sabe que o INI tem apenas objetivos sociais e educacionais. Se soubessem como é difícil trabalhar para construir uma nação de acionistas, como se verifica na maioria dos países desenvolvidos, não só não criticariam, como ajudariam a reverberar as idéias.
Mas as críticas, quando educadas e fundamentadas, são sempre bem vindas.
Quanto à TIB, ela está em fase de ajustes. Estou revisando pessoalmente todas as empresas do Ibovespa. Se você conseguir me passar uma lista, pode ser por aqui, com as empresas que estão sem o 1T11, encaminho ao Comdinheiro imediatamente.
Sei que o Bradesco está sem, por problemas com o consolidado. Estamos resolvendo.

Desculpe a ignorância, mas não entendi o último gráfico. Ambos os métodos tiveram resultado negativo de 98 para cá?

Oi LG,
A rentabilidade é do início do período. Quem começou em 1998 teve uma média de 15% ao ano, quem começou no último mês, por exemplo, teve rentabilidade negativa. O eixo dos meses indica quando o sujeito começou a investir.

por favor, gostaria de ver a TIB arrumada em relaçao à Forjas Taurus, considerando toda a reestruturação.

sei que deve ser complicado, mas… VPA, LPA, tudo é alterado.

obrigado

Oi Leonardo,
Já está, no que se refere aos indicadores “por ação”. Ocorre que não houve mundança significativa no número total de ações. O que houve foi diluição dos controladores (passando ações para os minoritários).
Quanto ao ajuste de preço, estamos apurando.

Excelente artigo.Gostei muito, assim como tenho gostado de tudo que é informado pelo INI.
Creio que as atitudes divergentes ocorram por parte de alguns segmentos que se sentem ameaçados
em seus interesses partriculares, o que é bem diferente do INI cujo único interesse é o de cumprir a sua
missão educadora.
E no desejo de que assim continue agradeço por fazer parte dos que desfrutam dessa educação
financeira séria e consistente.
Congratulo-me com toda equipe e responsáveis por esse pródigo projeto o que faz com que todos nós
educandos e educadores estejamos de parabéns.

Caro Lazaro,
Agradecemos pelas palavras de apoio.
Continuaremos em nossa luta para mostrar aos brasileiros que bolsa é instrumento de poupança de longo prazo. Quando entenderem isso verão ser possível destinar poucos recursos mensais para carteiras próprias ou fundos de ações e não apenas “acertar” a hora de comprar ou vender.
Entendemos que esse é o caminho para termos milhões de investidores e não apenas 570 mil como hoje.

Prezados Senhores,

Informações/aviso a usuários e orientadores do INI.

Os dados relativos a Payout e Dividendos por ação, aparecem zerados na tabela TIB, no ativo CCRO3.

Atenciosamente,
Carlos Rubem P.Andrade

Anotado Carlos.
Estamos avaliando uma por uma as 215 empresas da TIB.


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