Balanceamento de carteira – Como fazer para valores diferentes de 50% – 50%?

Posted on novembro 25, 2010. Filed under: Comentários diários |

Um artigo de muito sucesso do informativo INI, que posteriormente virou um capítulo do livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”, tratava do balanceamento de carteira como forma de evitar cometer erros básicos no mercado de ações.

O estudo, que compreendeu um intervalo de mais de 11 anos de investimento, propunha uma carteira de 50% em renda fixa (RF) e 50% em renda variável (RV).

Ao longo dos meses o investidor deveria ajustar sua carteira cada vez que a diferença entre os montantes (RF e RV) ultrapassasse 5%, 10%, 20%, 30% ou 40%.

É bem simples, se ele iniciasse com R$ 50.000 em RF e R$ 50.000 em RV deveria ajustar sua carteira caso, por hipótese, atingisse R$ 50.000 em RF e R$ 65.000 em RV (no caso de 30% de diferença). Venderia R$ 7.500 em ações e colocaria em RF, voltando ao patamar de 50%-50% (R$ 57.500 em RF e R$ 57.500 em RV).

A diferença de rentabilidade entre a gestão passiva (sem fazer balanceamento) e a ativa foi muito grande. Para quem fez balanceamento a cada 30%, o patrimônio foi 24% superior.

E como fazer para patamares diferentes de 50%-50%?

O livro não apresenta estudos para outras distribuições de portfólio, mas indica que o balanceamento poderia ser feito com outros patamares, ajustados às necessidades dos investidores com os mais diversos perfis e idades.

Muitos investidores entraram em contato perguntando quais seriam os percentuais de ajuste para, por exemplo, 30% em RF e 70% em RV.

E isso deixou evidente que a conta é muito mais complexa do que parece, quando o caso fica fora dos 50%-50%.

A tabela de ajustes de balanceamento de carteira.

O cálculo dos ajustes é um pouco complexo, mas uma tabela ao final trará os resultados para os que quiserem ir direto às indicações de ajuste para suas próprias carteiras.

Só serão propostos ajustes de 20%, 30 e 40% de diferença entre as carteiras de RF e RV, pois o estudo mostrou que fazer ajustes em patamares baixos (5% ou 10% de diferença) é menos eficiente e muito mais caro.

Caso 1: 50% RF – 50% RV – Ajustes a cada 30% de diferença

Esse caso é bem simples, pois as carteiras iniciais em RF e RV são iguais.

O uso de uma ferramenta de iteração (atingir meta) no Excel nos mostra que a carteira deveria ser ajustada aos patamares iniciais (50% – 50%) toda vez que, do portfólio total, uma parte representar 56,53% do total e a outra, consequentemente, 43,47%.

É claro que 56,53% divididos por 43,47% vai dar precisamente 1,3, ou seja, 30% de diferença entre os montantes.

Caso 2: 30% RF – 70% RV – Ajustes a cada 30% de diferença

Nesse caso a situação requer algum trabalho matemático para o cálculo do “ponto de ajuste” do portfólio.

Primeiro será necessário calcular a diferença percentual entre a carteira de RF e a carteira de RV.

A carteira de RF deve ser, após o balanceamento, SEMPRE 57,14% menor que a de RV.

Agora, basta ajustar a carteira quando esses 57,14% forem 30% menores ou 30% maiores do que o objetivo inicial (30% em RV e 70% em RF).

A tabela de ajustes

Poupando o leitor das complicações matemáticas, segue uma tabela com os principais ajustes para cada distribuição de portfólio.

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18 Respostas to “Balanceamento de carteira – Como fazer para valores diferentes de 50% – 50%?”

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Seria interessante fazer esse mesmo estudo para carteiras com 3 classes de ativo como por exemplo, 34% RF, 33% RV e 33% câmbio.

Oi Daniel, é uma ótima sugestão. Vou estudar a complicação matemática para ver se cabe num artigo.
Abraço,
Paulo Portinho

Ótimo artigo Portinho!

Suas análises são muito bem embasadas e com uma escrita bem leve para todos compreenderem. Uma ótima combinação!

Grande Abraço!

Olá, muito bom estudo!!
Aproveitando, gostaria de tirar uma dúvida sobre o Estudo do Prof. Francisco Baima sobre o “Retorno com Ações de 1986 a 2010, em comparação com a renda fixa no período”.
A carteira formada pelas blue chips teve retorno no período tão maior (4,33 vezes) que o retorno da ação que teve o maior rendimento?
Considerou-se a reaplicação dos dividendos ou é simplesmente efeito da diversificação?
Obrigado,
Sandro

Oi Sandro,
Não conheço os detalhes do estudo, mas acho que o efeito preponderante é o da compra regular.
De qualque forma é possível entrar no site do INI e pegar o contato do professor na área de Membros Orientadores.

Por que o INI não está atualizado com os valores dos balanços de 2009?Isto causa uma deformação em todas as informações disponiveis!

Oi Rui,
Nós estamos trocando de fornecedor, mas os dados de 2009 já estão atualizados na TIB, algumas empresas não divulgam dados consolidados. Clique em Controladora para ver os dados.
O software será atualizado na segunda.

Olá,
Gostaria de obter o artigo publicado no blog em 26/8/2010, sobre Estimativa do Índice Preço-Lucro Futuro.
Na página ao se clicar sobre o link do arquivo, há um retorno de página não encontrada.
Obrigado,
Sandro

Muito interessante!

Portinho,
Excelente artigo! Mas acho que ficou faltando a análise para o “outro lado dos 50-50”, isto é, como fica a tabela se o investidor deseja buscar o balanceamento com a menor parcela em RV e a maior parcela em RF?

Ou seja, como ficaria para as seguintes combinações:
80% RF – 20% RV
70% RF – 30% RV
60% RF – 40% RV

Fica a sugestão de uma revisão da tabela, incluindo estas linhas acima da linha 50-50, para que a análise fique simétrica.

Um grande abraço e parabéns pelo trabalho!
Fábio Feijó

Oi Fábio,
Agradeço as palavras de incentivo.
Para ter a tabela desejada, basta inverter a última tabela integralmente. Onde estiver escrito RV, troque por RF e vice-versa.

Li o mercado de ações em 25 episódios e me ocorreu as seguintes dúvidas.

1.Qual seria a renda fixa adequada, não ficaria ruim toda vez que tiver fazer o ajuste de 50-50 ter que pagar imposto de renda?
2.Como ficaria a distribuição para o investidor que estiver iniciando com aportes iniciais de 500,00 mensais e ter que fazer compras de ações fracionadas, dividir 50-50% em renda fixa e em ações, e ainda ter que diversificar ações?
3.no caso de compras mensais fracionadas de ações o ted/doc não prejudicaria os investimentos?

Caro Adriano,
A renda fixa adequada é aquela de melhor rentabilidade no momento, e menor risco. Há alguns anos, a poupança chegou a bater alguns fundos. Hoje, há opções melhores em fundos ou tesouro direto. Quanto ao IR, faz parte das regras do jogo, não há como escapar (exceto em renda variável, conforme colocado no 25 episódios).
O balanceamento no início fica prejudicado, pois ao aportar R$ 500,00 em um portfolio de R$ 5.000, já representaria 10%. Com o passar dos anos ficaria melhor. Para evitar isso, você poderá fazer todos os aportes na mesma proporção que sua carteira apresentar na época , por hipótese, 56% – 44%.
Eu faço aportes via boleto (R$ 1,45) na minha corretora. Há corretoras que operam com grandes bancos de varejo para reduzir os custos de aporte e retirada.
Será necessário encontrar uma corretora que tenha uma estrutura de custos adequada à sua necessidade.

Oi, poderia me mostrar um exemplo da pessoa que está iniciando do zero e tem 500,00 reais disponíveis todo mês para investir, pois estou analisando a dificuldade em diversificar este valor tão pequeno tanto agora como daqui a 1 ano ou 2, como ficaria este processo?

Caro Adriano,
No início do processo de acumulação de capital, não há como ter uma diversificação adequada e um equilíbrio entre renda fixa e renda variável. E também não é necessário, pois o horizonte é longo o suficiente para que essas imperfeições se ajustem.
Os dois primeiros anos de investimento em bolsa servem para aprendizado, além de acumular capital.
As respostas para suas questões e preocupações não existem “na teoria”, só na prática. Você verá que as soluções virão naturalmente.
Para quem tem horizonte de 15 – 20 anos, a única preocupação é iniciar o quanto antes esse caminho.

Valeu, muito obrigado pela ajuda, acho que vou começar baseado no exemplo do arnaldo do livro, só que posso me concentrar em duas empresas, exemplo num mês compro petr4 e no outro mês compro vale5 e esperar a carteira crescer para fazer os devidos ajustes.


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