O Método dos Aportes Dobrados – Técnicas para gestão de aportes em carteira própria e em fundos de Ações

Posted on novembro 11, 2010. Filed under: Artigos sobre bolsa |

Gestão de carteira, segundo o livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”

No livro acima citado há um “episódio” que estuda os efeitos da gestão de carteira pessoal, dividindo o portfolio em 50% de títulos de renda fixa e 50% em ações (índice).

Pelo método, o investidor deveria ajustar a carteira para os percentuais iniciais toda vez que houvesse uma discrepância entre os montantes de 5%, 10%, 20%, 30% ou 40%.

Ficou evidente que uma gestão ativa ofereceu resultados melhores (com base nos últimos 11 anos) do que uma gestão passiva.

Muitos investidores seguem esse modelo, alguns com outros blends entre renda fixa e renda variável, tais como 20%-80%, 30%-70% e assim por diante.

Mas e como cuidar dos aportes regulares (mensais, semanais, bimestrais etc.)?

Alguns investidores perguntam se há alguma estratégia OBJETIVA para distribuir seus aportes mensais em fundos ou em carteira própria.

Antes de prosseguir, vale um parênteses sobre o que seria uma estratégia de verdade e uma pseudo-estratégia.

Quando o investidor diz que faz aportes regulares, e quando a bolsa cai ele aumenta o valor dos aportes, não está definindo uma estratégia, pois faltam parâmetros objetivos para que ela possa ser testada.

Falta definir a periodicidade, os valores, o incremento no aporte, enfim, não é uma estratégia OBJETIVA o suficiente para virar um estudo.

A seguir será testada uma estratégia objetiva que pode ajudar os que querem fazer aportes regulares, mas não querem perder boas oportunidades geradas pela oscilação natural da bolsa.

O Método dos Aportes Dobrados

É um método simples, que consiste em dobrar o aporte do mês anterior, caso a bolsa (ou a ação, ou a cota do fundo) esteja em queda. Naturalmente reduzir à metade caso esteja em alta.

Para o estudo, consideram-se os seguintes parâmetros:

  • Período: de Janeiro de 1998 a Outubro de 2010 (154 meses)
  • Caso 1: Aporte mínimo de R$ 100,00 e máximo de R$ 800,00
  • Caso 2: Aporte mínimo de R$ 100,00 e máximo de R$ 3.200,00
  • Caso 3: Aporte mínimo de R$ 100,00 e máximo de R$ 12.800,00

Vai ser simulada a compra do Ibovespa ao final de cada mês do estudo. O aporte inicial será de R$ 100,00. Os aportes subseqüentes serão dobrados, caso o índice caia ao final do mês seguinte, ou reduzidos à metade, caso a bolsa suba (respeitando os limites expostos acima).

Para efeito de comparação, será feita a mesma simulação só que com o valor médio dos aportes (sem dobrar ou reduzir à metade). Dessa forma a comparação fica precisa, pois o volume total aportado nos 154 meses será idêntico.

Veja na tabela a seguir o exemplo para o primeiro ano.

Em janeiro de 1998 R$ 100,00 comprariam 0,0103 do Índice, que estava em 9.720 pontos. Nos meses seguintes não houve alteração do aporte, pois a bolsa subiu.

Na primeira queda, em abril de 1998, o aporte foi dobrado para R$ 200,00. O aporte foi dobrado para R$ 400,00 em maio e para R$ 800,00 em junho, pois a bolsa continuava em queda.

Já em julho a bolsa apresentou alta novamente, portanto o aporte foi reduzido à metade. É importante lembrar que devem ser respeitados os limites dos casos propostos no estudo (R$ 100 a R$ 800 no caso 1, R$ 100 a R$ 3.200 no caso 2 e R$ 100 a R$ 12.800 no caso 3).

Resultados

Em todos os casos foi melhor utilizar o Método dos Aportes Dobrados do que aportar valores idênticos, ao menos para o período estudado.

Caso 1: Aporte mínimo R$ 100,00 e aporte Máximo R$ 800,00

  • Total aportado: R$ 41.800
  • Média dos aportes: R$ 271,43
  • Patrimônio total ao final de 154 meses: R$ 174.945 – Usando o Método
  • Patrimônio total ao final de 154 meses: R$ 156.294 – Sem usar o Método
  • Quem usou o método obteve um patrimônio 11,93% maior.
  • Rentabilidade anual com o método: 11,80%
  • Rentabilidade anual sem o método: 10,82%

Caso 2: Aporte mínimo R$ 100,00 e aporte Máximo R$ 3.200,00

  • Total aportado: R$ 86.200
  • Média dos aportes: R$ 559,74
  • Patrimônio total ao final de 154 meses: R$ 399.157 – Usando o Método
  • Patrimônio total ao final de 154 meses: R$ 322.309 – Sem usar o Método
  • Quem usou o método obteve um patrimônio 23,84% maior.
  • Rentabilidade anual com o método: 12,69%
  • Rentabilidade anual sem o método: 10,82%

Caso 3: Aporte mínimo R$ 100,00 e aporte Máximo R$ 12.800,00

  • Total aportado: R$ 202.900
  • Média dos aportes: R$ 1.317,53
  • Patrimônio total ao final de 154 meses: R$ 1.093.578 – Usando o Método
  • Patrimônio total ao final de 154 meses: R$ 758.660 – Sem usar o Método
  • Quem usou o método obteve um patrimônio 44,15% maior.
  • Rentabilidade anual com o método: 14,03%
  • Rentabilidade anual sem o método: 10,82%

Considerações sobre os resultados

É natural que os valores máximos e mínimos sejam estabelecidos pela capacidade financeira do investidor, mas é bem claro que o método funcionou em todos os casos, e quanto maior a disponibilidade financeira para dobrar o aporte, mais dilatada ficou a diferença entre usar e não usar o método.

As rentabilidades anuais podem parecer pequenas, mas é importante lembrar o seguinte:

  • O índice não é um indicador de qualidade dos ativos, mas de seu volume de negociação. Houve inúmeras empresas e fundos, nesse mesmo período, com resultados muitíssimo superiores aos do índice.
  • Não foi considerado o reinvestimento dos dividendos. Para um yield de 5% ao ano, isso poderia significar mais 88% no patrimônio em 154 meses. As rentabilidades subiriam para entre 16,5% e 19% ao ano.

O Método funciona mesmo para variações aleatórias

Como último teste, foi feita uma simulação considerando valores aleatórios entre 5.000 e 73.000 no período de janeiro de 1998 e outubro de 2010.

Mesmo assim quem tivesse utilizado o método, teria alcançado um resultado 30% superior.

A fonte dos dados está na planilha que pode ser baixada aqui.

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8 Respostas to “O Método dos Aportes Dobrados – Técnicas para gestão de aportes em carteira própria e em fundos de Ações”

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Aí está um método vencedor no longo prazo. Parabéns pela análise.

Recentemente, escrevi um artigo bem parecido, simulando um portfólio com 50% Ações e 50% Renda-Fixa, utilizando dados desde julho de 1994 (pós-inflação).

O investidor começava com R$ 10.000 e colocava R$ 1.000 todo mês, no ativo com menor alocação. No final, sua rentabilidade era superior ao Ibovespa e a Taxa Selic. Confiram aqui:

http://www.valoresreais.com/2010/11/03/a-melhor-estrategia-de-investimentos-que-voce-ja-conheceu-como-conseguir-retornos-acima-da-bolsa-no-longo-prazo-com-risco-controlado/

Abraços!

Oi Henrique. Parabéns pelo blog. Vou deixar o link em nossa área de comentários, para que os leitores possam acessar.
O resultado obtido pela técnica é levemente superior ao da carteira no “piloto automático”.
Sugiro incluir nosso método de ajuste de carteira em percentuais fixos, por exemplo, 50%-50%, 40%-60% etc.
A diferença de patrimônio obtido com a gestão ativa chega a 24% e o trabalho é baixíssimo. Menos de 1 ajuste por ano (fizemos de 1998 a 2008).
Está no livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”.

Olá amigos!

Como assinante do INI e por já ter lido o livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios” conheço o potencial desta estratégia. É realmente muito boa, já que envolve baixo trabalho de gestão, baixos custos (poucas transações) e os resultados são surpreendentes!

Continuem com os ótimos artigos. É um prazer saber que este tipo de conhecimento está sendo passado em um país em que muitos ficam horas e horas acompanhando o mercado e operando como alucinados em vão…

E, certamente, utilizando o rebalanceamento através do desvio percentual (10%, 20%), o desempenho melhora substancialmente.

Inclusive, há um ano atrás fiz uma simulação histórica entre 50% Ibov e 50% Taxa Selic utilizando diversos percentuais de rebalanceamento (Nenhum, 10% e 20%). A análise conclui que o rebalanceamento de 20% é o mais eficiente (tanto em termos de aumento de retorno como redução de risco).

Se me permitem, gostaria de deixar o link para o artigo:

http://hcinvestimentos.wordpress.com/2009/10/24/comparando-portfolios-selic-vs-dolar-parte-i/

Abraços!

Por coincidencia perguntei esta semana aos orientadores do INI sobre este tema, que por sinal muito bem esclarecedor, mas para as pessoas que nao tem muita capacidade de investimento, talves seria interessante fazer um teste com aportes mensais somente quando o ativo ou indice subir ou seja; se o ativo ou indice cair no mes, o valor a ser aplicado seria transferido no proximo mes e assim sucessivamente.

Oi Mario,
A natureza das pessoas faz com que tenham vontade de comprar quando a bolsa está subindo, mas o artigo mostra que essa visão está equivocada. É justamente a queda que deve motivar a compra, e não o contrário.
Não sei se entendi bem sua proposta, mas se formos adiar os aportes até a bolsa começar a subir podemos perder grandes oportunidades de compra.
De qualquer forma vou tentar fazer o teste.

Ola minha ideia seria o seguinte; pegando um ex do crash de 2008;no mes 06 era para fazer aporte de por ex 100,00, como teve queda, este valor vai para o mes 07, como continuou caindo ficaria 100+100=200 para o mes 08, e assim por diante… somente no mes 12 ele compraria ,pois o fechamento foi positivo ; dando um somatorio de 600,00

Olá,não sei se entendi o raciocínio.No método dos aportes dobrados,se eu tiver uma carteira com 6 papeis, devo fazer os aportes dobrados no papel que apresentar ueda ou esta estratégia só se aplica a fundo de ações onde são estabelecidas cotas?

Outra pergunta:Alguns artigos dizem que devemos ter uma carteira de somente 6 papéis para que possamos acompanha-los, outros dizem que devemos diverssificar mais. Qual a sua opinião?

Oi Luiz,
O Método foi usado só para o índice ou para a cota de um fundo.
Ele não trata da gestão do portfolio, que é a escolha das ações, sua manutenção, compra ou venda. Para isso o método INI é, disparado, o mais simples e objetivo.
Ele trata apenas da gestão do valor do aporte.
O número de ações está ligado à sua capacidade de acompanhá-las. Deve ser necessário ler e entender os relatórios de todas as empresas em carteira.


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