Posted on janeiro 28, 2010. Filed under: Comentários diários |

 

Recentemente alguns fundos e relatórios de análise começaram a aparecer com um código diferente em suas carteiras recomendadas, BBAS13. Esse código refere-se ao Bônus de Subscrição do Banco do Brasil série â??Câ?, lançado em 1996 e com vencimento no segundo trimestre de 2011.

Apesar de pipocarem aqui e ali indicações para compra desses bônus, o investidor pode se mostrar receoso, pois desconhece, ou conhece pouco, as ferramentas para avaliar a conveniência de se investir em um bônus, em vez de comprar ações diretamente.

Não é algo trivial, ainda mais em um bônus corrigido pelo IGP-DI com mais de 12 anos de vida, porém é algo que vale ser debatido. Esses bônus podem representar uma opção interessante ao investimento direto nas ações do BB, desde que se consiga calcular os riscos envolvidos. A seguir, algumas ferramentas simples para que o investidor consiga tirar suas próprias conclusões.

 

A história dos Bônus de Subscrição do BB, séries A, B e C.

Poucos lembram, mas o Banco do Brasil precisou de uma forte capitalização adicional em 1996, sob a proposta de fazer um ajuste no balanço, o que o levou a requisitar aos acionistas de então um aporte de capital.

Para estimular a participação dos acionistas, em 17/06/1996, os bônus de subscrição foram creditados na posição acionária de todos os acionistas do BB, na proporção de um bônus para cada ação possuída naquela data, conforme tabela a seguir:

 

Série

Quantidade Emitida de Bônus

% do Capital

Ordinárias

Preferenciais

Data Limite

A

142.394.462.616

20

79.836.303.355

62.558.159.261

30/06/2001

B

213.591.693.924

30

119.754.455.032

93.837.238.892

30/06/2006

C

355.986.156.540

50

199.590.758.387

156.395.398.153

30/06/2011

Total

711.972.313.080

100

56,07%

43,93%

——–

 

Ã? época funcionou, porém a circulação desses bônus acabou se tornando um obstáculo à valorização das ações do BB, pois o â??fantasmaâ? da diluição, através do exercício desses bônus, deixava os acionistas com receio.

Esse â??fantasmaâ? foi praticamente dizimado quando, em 2004, o BB fez uma oferta pública para retirada desses bônus do mercado. Com a adesão dos principais acionistas, Tesouro Nacional, Previ e BNDESPar, mais de 90% dos bônus foram retirados de circulação, fazendo cair significativamente os riscos de diluição aos acionistas atuais.

 

Explicando o que são esses bônus BBAS13

Bom, os únicos em circulação são os com vencimento entre 31/03/2011 a 30/06/2011. Do início da circulação até hoje, as ações do Banco do Brasil sofreram algumas alterações. Primeiro as ações PN foram convertidas em ON, dessa forma CADA B�NUS que, antes, daria direito de subscrever 0,56067 ação ON e 0,43933 ação PN (total 1 ação), passou a dar direito de subscrever 1,043933 ação ON (BBAS3), pois havia um prêmio de 10% nas ações PN.

Ainda em 2007, houve um desdobramento na proporção de 1:3, SEM DESDOBRAMENTO DOS B�NUS, o que significa que o direito de subscrever 1,043933 ação ON passou a ser de subscrever 3 vezes isso, 3,131799 ações ON.

Isso significa que o detentor dos bônus poderá comprar 3,131799 ações, a partir de 31.03.2011 e até 30.06.2011, ao preço de R$ 8,50 corrigidos pelo IGP-DI, um índice de inflação criado pela FGV em 1944.

Só para ter uma idéia de como isso poderia ser um bom negócio, em 28/01/2010 o valor corrigido daqueles R$ 8,50 era de R$ 25,95. As ações do BB estavam sendo negociadas a R$ 27,80, logo 3,131799 ações valiam R$ 76,42.

Pagar R$ 25,95 para receber R$ 87,06 de valor não é nada mal…

Lembrem que os detentores dos bônus ou os receberam em 1996 e estão esperando por 13 anos, ou compraram no mercado secundário e tiveram que desembolsar um valor significativo para ter esse direito.

Das duas uma: ou ele esperou 13 anos, ou pagou pelo direito. Ambos os casos trazem seu próprio custo.

 

Quanto vale o bônus BBAS13?

Ã? evidente que esse direito tem um valor econômico, mas quanto vale? A resposta é simples: vale o que alguém está disposto a pagar, desde que tenha alguém interessado em vender por aquele preço. Em outras palavras… vale o que está no mercado!

� evidente que, como direito só poderá ser exercido em 2011, há um desconto para comprá-lo hoje. Veja o cálculo desse desconto a seguir:

·        Preço ação ON BBAS3 em 28/01/2010 â?? R$ 27,65

·        Preço do bônus BBAS13 em 28/01/2010 â?? R$ 52,01

·        Valor atualizado de exercício da subscrição em 28/01/2010 â?? R$ 25,95

Ora, para ter direito a comprar 3,131799 ações ON a partir de 31/03/2011 o investidor teria que pagar R$ 52,01 mais o valor atualizado do preço de exercício.

Em valores de janeiro de 2010, se está falando de R$ 52,01 + R$ 25,95 = R$ 77,96

O valor das ações seria, em valores de agosto de 2009, 3,131799 x R$ 27,80 = R$ 87,06

O desconto seria de aproximadamente 11%.

Para esperar pouco mais de ano, até que 11% não é uma taxa de juros desprezível, dado que os juros reais da renda fixa estão na faixa de 7% ao ano, descontados os impostos e as taxas de administração.

 

Mas até 2011 tudo pode mudar. Como calcular os cenários?

Bom, a primeira questão a ser respondida é a seguinte: O Investidor QUER comprar e manter ações do Banco do Brasil?

Se a resposta for positiva, ele pode passar à fase seguinte. Se não quiser ter BB na carteira, ou não acreditar que as ações vão se valorizar, nem deve se preocupar com os bônus.

� evidente que o detentor dos bônus pode se beneficiar de duas formas:

1.      Se a inflação for baixa, o preço de exercício será pouco diferente do de hoje

2.      Se a ação disparar, o valor do bônus tende a subir. Subirá ainda mais ao chegar perto do período de exercício, pois o â??descontoâ? pelo fator tempo tende a se reduzir.

O IGP-DI, em 2010, está negativo. Há chances razoáveis de que a inflação permaneça sob controle nos próximos anos. Há também boas perspectivas para o setor bancário brasileiro.

 

Os cenários

Para o cálculo dos ganhos (ou perdas) para diferentes cenários, serão consideradas as seguintes premissas:

·        Variação do IGP-DI de 28/01/2010 a 30/06/2011 â?? Serão considerados 2%, 4% e 6%.

·        Cotações em 30/06/2011 â?? Serão consideradas as opções: R$ 20,00, R$ 25,00, R$ 30,00, R$ 35,00 e R$ 40,00

Depois de calculados os ganhos/perdas da compra dos bônus, os resultados serão comparados com a compra pura e simples das ações.

OBS: No exercício dos bônus haverá um ajuste para incorporar a diluição pelas novas ações emitidas. Esse ajuste não será levado em consideração no estudo, pois o impacto é reduzido e será sentido tanto pelas novas ações quanto pelas antigas. Como um dos objetivos é comparar a compra dos bônus com a compra das ações diretamente, não há prejuízo ao contexto.

 

Resultados:

 

 

Variação IGP-DI até 30/06/2011

Cotação 2011

2%

4%

6%

R$ 20,00

-20,2%

-20,7%

-21,2%

R$ 25,00

-0,2%

-0,9%

-1,5%

R$ 30,00

19,7%

18,9%

18,2%

R$ 35,00

39,7%

38,8%

37,8%

R$ 40,00

59,6%

58,6%

57,5%

 

Se o investidor comprasse o bônus por R$ 52,01 em 28/01/2010 e exercesse seu direito em 30/06/2011 ele perderia entre 20,2% e 21,2% no caso das ações caírem a R$ 20,00. Porém, poderia ganhar entre R$ 57,5% e 59,65% no caso das ações se valorizarem a R$ 40,00.

O cálculo é simples, basta pegar o valor pago pelo bônus, R$ 52,01, somar ao preço de exercício, que é calculado acrescendo o IGP-DI aos R$ 25,95 referentes ao dia 28/01/2010. Depois, compara-se esse valor com a multiplicação da cotação estimada por 3,131799 ações.

 

Veja um exemplo para IGP-DI de 2% e cotação de R$ 30,00 em 30/06/2011:

·        Preço pago pelo bônus = R$ 52,01

·        Preço de exercício = R$ 25,95 x 1,02 = R$ 26,47

·        Valor das ações compradas = R$ 30,00 x 3,131799 = R$ 93,95

·        Investiu R$ 52,01 + R$ 26,47 = R$ 78,48, para ficar com R$ 93,95

·        Ganho percentual de 93,95/78,48 = 19,7%.

 

Mas e se o investidor comprasse as ações em vez de comprar os bônus?

A conta é ainda mais fácil, pois em 28/01/2010 ele teria pagado R$ 27,80 por cada ação ON do Banco do Brasil. Veja o ganho/perda:

 

Cotação 2011

Ganho/Perda

R$ 20,00

-28,1%

R$ 25,00

-10,1%

R$ 30,00

7,9%

R$ 35,00

25,9%

R$ 40,00

43,9%

 

Não precisa ser expert em finanças para perceber que EM TODOS OS CASOS DA HIP�TESE, inclusive com inflação alta, a compra do bônus teria sido mais interessante do que a compra direta da ação.

 

Não existe almoço de graça OU o que você perdeu nessa explicação?

Da forma como foi colocada a estratégia, parece dinheiro fácil, não é? Não tem como perder!

Mas não é nada disso. O investidor não tem SOMENTE 2 opções de investimento, tem inúmeras. Se ele acredita que investir em ações do Banco do Brasil será melhor (ou semelhante) do que investir em ações da VALE, da Petrobras, do Itaú, do Bradesco, da Cemig, da Randon, da Usiminas etc., ou seja, se JÁ � uma opção de investimento, e ainda, se o investidor desejar manter as ações até o vencimento, aí sim, nesse caso específico pode ser mais inteligente investir nos bônus.

Não existe MESMO almoço de graça. Nem na bolsa, nem em lugar algum…

 

 

 

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