Posted on abril 30, 2009. Filed under: Artigos sobre bolsa | Tags:, , , |

Os últimos anos da bolsa brasileira foram muito positivos para os investidores, mas pouco pedagógicos. Como a grande maioria das ações, ao menos até o final de 2007, meados de 2008, apresentou crescimento sem precedentes, e praticamente ininterrupto, criou-se a impressão de que todos sabiam investir na bolsa. Que ganhar na bolsa era muito fácil e que perder era muito raro.

O comportamento mais apreciado e difundido nos últimos tempos foi apostar grandes volumes em algumas poucas empresas, buscando retornos de curto prazo. Stops para queda, stops para alta, deixar cair 2%, deixar subir 10%, e outras dicas quentes, o investidor ouvia todos os dias. No período que compreendeu os anos de 2003 a 2007, foi muitíssimo difícil perder fazendo essas apostas.

Desde 2004 o Instituto Nacional de Investidores – INI busca difundir um sistema de investimento em ações calcado na formação de patrimônio no longo prazo. Sugere que os investidores sigam cinco princípios muito simples, que têm mais de 60 anos de experimentação nos mais diversos mercados de ações. São eles:

  • Invista regularmente – Tenha disciplina para fazer aportes periódicos regulares, com valores que não sejam significativos para sua renda e com os quais não se pretende contar pelos próximos anos.
  • Reinvista todos os ganhos obtidos no mercado – Os dividendos costumam representar um ganho superior a 3% do patrimônio investido. O que pode parecer pouco, reinvestido, pode fazer o patrimônio mais que dobrar no longo prazo.
  • Seja sócio de empresas de crescimento – Busque investir em empresas que tenham um sólido passado de crescimento de lucros, vendas e margens, e que apresentem boas perspectivas para os próximos anos. Evite companhias com múltiplos fundamentalistas muito distorcidos e com instabilidade nos resultados. Acompanhe sempre os relatórios, releases e apresentações das companhias de que é sócio.
  • Diversifique – Não tente acertar qual a melhor ação para investir, busque posicionar-se em um portfólio que dilua seu risco.
  • Prestigie empresas com boa governança corporativa.

Qualquer pessoa que tenha seguido os princípios do INI desde o início, mesmo que esse início tenha sido em maio de 2008, não deve ter motivos para grandes sobressaltos. Em primeiro lugar porque não cometeu o equívoco mais comum do investidor iniciante: colocar todo o dinheiro de uma só vez, e em segundo lugar porque seu horizonte é de, no mínimo, 5 a 10 anos de investimento regular.

Para 2009 e 2010 o ambiente para a disseminação da cultura de investimento de longo prazo promete ser mais propício. As oscilações recentes nos ativos negociados em bolsa de valores e mercados futuros ultrapassaram qualquer limite de racionalidade e testaram quaisquer resistências ou suportes psicológicos. Essa nova realidade deve ter feito muitos investidores sentirem os efeitos da carência de uma visão financeira mais educada, mais ampla.

Quando o investidor vê seu patrimônio cair 50% e não tem um conhecimento mais aprofundado do mercado, dos fundamentos e das companhias em que investe, não consegue dimensionar o que é racional e o que é pânico. O investidor mais educado tem em mente o pagamento de dividendos, as taxas de crescimento de lucro da companhia, a sensibilidade dos resultados da companhia aos diversos cenários econômicos, entre outros fatores que permitem fazê-lo perceber o que é oportunidade e o que é risco.

Outro instrumento importante para a proteção e educação do investidor que deve ganhar força nos próximos anos são os clubes de investimento. Os orientadores do INI já ajudam as pessoas a montar e a gerir um clube de investimento em 6 estados do país. Dentro de um clube, os investidores diluem os custos de operação, dividem o trabalho de estudo do mercado e das companhias, afastam-se da complexidade tributária e sentem-se mais comprometidos a manter seus aportes regulares. Não raro, os clubes do método INI vêm mantendo seus aportes durante esse período mais crítico da bolsa.

� evidente que não há fórmula mágica. Nos últimos meses, pouquíssimos preços-alvo revelaram-se corretos, pouquíssimas análises mostraram-se precisas. Ficou evidente que ninguém pode, com segurança, antecipar o fim da crise ou indicar que tudo voltará a ser como antes. O que se sabe é que um navegador sem instrumentos e sem a tecnologia para ler e entender os dados de uma tempestade, dificilmente vai conseguir enfrentar a tormenta. Se conseguir, será por sorte ou talento individual. Ou ambos. Para quem não quiser precisar de sorte ou de talentos especiais, o caminho da educação vai ser a diferença entre um futuro de calmaria financeira ou de tempestade patrimonial.

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